7.6.25

Algodão-doce

Ondas, nuvens soltas
Oh, algodão-doce,
De poupa em voltas
Aqui me trouxe.

Pelo céu, pelo mar,
Onde estiveres,
Vou voar, vou navegar.

Para sul, para norte,
Onde estiveres
Está a minha sorte.

Mas antes que o sol se ponha,
Agarra-me a mão,
Porque homem que sonha
Acaba na solidão.

28.5.25

Silent eyes

Silent eyes
Through empty streets,
A thought that flies
To yesterday's sheets.

Silent eyes, wondering...
Lost, beyond control?
A way of gambling
A life, a soul...

Silent eyes,
Icing thought,
Beautiful lies
Yesterday brought.

25.4.25

Gaivotas

São beijos salgados,
Sabor de mar,
Tantos anos passados
Para nada mudar.

Voámos livres,
Fomos gaivotas,
Vivemos assim felizes
Voando às voltas.

E a cada onda,
Batem memórias,
Não há mar que esconda
As nossas histórias.

O sol que se despede,
De mim, de nós,
A um amor que se perde,
A outro, levanta-se-lhe a voz.

1.4.25

Entre paredes escreves
As vozes que não queres ouvir.
O silêncio da noite
Que não te deixa dormir.

São vozes, puta consciência
Que te trazem à razão
Dita consequência
De viver por comparação.

28.1.25

Tempo

Já passou algum tempo,
talvez demasiado,
certamente demasiado,

o suficiente para esquecer,
o sentido de erguer,
o sentido do tempo.

Memórias por criar,
vida por acontecer,
passa o tempo de viver,

o tempo de outrem,
o que vai, já não vem.
ficam, cicatrizes do tempo.

Sem saber, sem norte,
quando acabar,
será o tempo... morte?

19.9.20

Youth

I've lost it somewhere
back in time and space.
God knows where.

There's no way back
to what it used to be.
An endless soundtrack.

What's in the past,
can't be seen ahead.
And life goes too fast
till it gets dead.

If it comes without notice,
don't expect it to stay.
Sooner or later,
it will fade away...

30.1.19

city of stars

Perfection vanishes in time
just as the dust softly
falls on the ground.

The storm has passed over
and the safety has again
turned around.

As the sky becomes
the city of stars,
You silently ask
what's in the night shadow...

Distance certainly.

28.1.19

Procuro palavras.
E por entre palavras
perco-me em memórias.

Histórias que trouxeram-me
até aqui, bem longe,
longe de ti.

E por estar tão longe
sinto-me tão perto,
perto de ti.

Porque a criança
que levavas pela mão,
Hoje, leva-te no coração.


Feliz Aniversário Mãe!

11.4.15


Quando um homem chora,
Chora sozinho,
Chora sem lágrimas,
Chora por dentro.
Porque por fora
Nenhum homem chora.

22.2.15

Esperamos alguém
Que nos espera também,
E sem saber quem,
Não deixamos entrar mais ninguém.

15.4.14

Fição

O sentimento é fição
Tal como o amor e a paixão.
Perfeitos quando se lê
Confusos na vida.
E sem o porquê
Perdemos-lhe a saida.
Não se pode procurar algo melhor quando não se sabe aquilo que se tem.

Idade

Os cabelos brancos
contam histórias,
Que os pretos recusam ouvir.
Serão erros na história
Que se voltarão a repetir.
Apesar do mundo ter cores,
Muitos de nós, ainda vê,
à preto e branco.

Desvaneios

Se eu disser que acredito,
Chamar-me-ão de louco.
Se eu disser que é uma loucura,
Irão acreditar em mim.

Vida

A vida é sobre sexo,
E, por vezes, sobre amor,
Maioritariamente sem nexo,
Na necessidade de calor.

Ser

Eu nunca serei de ninguém,
E tu, nunca serás minha.
Seremos da nossa mãe,
Tu da tua e eu da minha.
Trouxe-nos como ninguém,
Que nunca parta sozinha.

Olhar proibido

A poesia é um olhar proibido
De alguém comprometido,
Uma paixão ardente
Que se apaga no consciente
De um coração que flameja,
Enquanto renega o que deseja.


Vazio

Um casal partilha o café
Envoltos num silêncio,
Forçadamente interrompido
Por palavras sem sentido,
Encontradas ao acaso
E procurando dar rumo,
A um casal que já nada tem
para partilhar.

Escravidão Xxi

Não há escravos
Nem o dever de os alimentar,
Mas há salários de escravo
Que apenas dá para comer,
Mas não são escravos
Porque têm a opção de não viver.

Páginas em branco

Haverá sempre páginas brancas
à espera de serem escritas
Por poetas que não escrevem,
Que não querem escrever,
Aquilo que só, se vive uma vez.

Tudo aquilo que criamos não nos pertence, estava pré-destinado a acontecer. Somos efémera ferramenta à sua criação.
Quando estou contigo,
Não sei a que horas chego,
Só sei...
Que parto sempre tarde.

Sentido

Tudo aquilo que escrevo
Não faz sentido.
E porque será que sentido
Está tão perto de sentir
Se sentir não faz sentido.

Talvez acrescente a palavra perdido,
Para que alguma coisa,
Nestas palavras, tenha sentido.


Rodeios

O nosso mundo
É feito de rodeios.
Porque não ter rodeios,
É ofender quem passa
Na sua bela graça. 

Sem alma

Haverá corpos sem alma?
Talvez haja corpos
com a alma perdida.
Corpos embranhados
Na sociedade que os engole e que,
na sua ausência de alma,
volta a cuspi-los
após assegurarem a procriação.


Necessidades

São diferentes rostos
Que reflectem alegria,
Indiferença e até tristeza.
Em cada um deles,
O espelho de uma alma
Da qual não se vê o rosto,
Mas que cegamente julgamo-la
pelo corpo que a carrega,
Como se a comparação
fosse uma necessidade básica
para nos posicionarmos no mundo.


Escrever

Escrever é árduo,
Materializar no papel
o que não tem explicação.
Talvez seja fácil,
Só, simplesmente escrever,
Sem qualquer emoção,
Enganando quem sente
com a verdade que é fição.

Porque aquilo que se sente
está para além de nós,
e tudo quanto se pode trazer
é ridiculamente insignificante.


18.2.14

Mendigo no McDonalds


A saliva confunde-se nas barbas
Do seu olhar perdido,
Do seu cabelo grisalho,
Da sua roupa de sempre.
Fita o seu futuro
Numa porta fechada,
Deixando-se levar
Como se não houvesse
Vontade de continuar.
Pesa-lhe o corpo,
Pesa-lhe a alma,
Mergulha no silêncio
Morto, sem chama.
Faz tempo que partiu
Ou que se perdeu,
Não se lembra como sumiu
Nem o que lhe aconteceu.
No passado, já foi criança,
Correu e brincou lá fora,
Já teve esperança
E sonhou ser alguém.
Já foi feliz
Aos olhos de sua mãe.
Teve amores e paixões
Borbulhas e desilusões,
Quis ser polícia e astronauta
Quis salvar o mundo do perigo
E um dia acordou assim
Acordou, mendigo.
Mendigo, que todos evitam
Como se fosse um poço de doenças
Como se fosse um cão sem dono
Com carraças e sem pêlo
Numa sociedade
Que prefere não vê-lo.

30.1.14

A lingua universal
é falada por todos
bem ou mal
no gesto de cada um
Olho o céu e pergunto
Como será lá fora?I
Interessante assunto
Para discutir com quem lá mora.

Falar-lhe de poesia talvez,
E um pouco de futebol.
Para que não houvesse timidez
Que não nos faltasse o tintol.
Não quero partir
Nem começar de novo,
Custa-me sorrir,
Num estranho povo.

Deixei de ter casa
de ter pais e nação,
Vivo por aí
No rasto da migalha do pão.



Tampere

As luzes dançam pela cidade,
Na noite que não quer partir,
Não é Paris, mas tem a sua vaidade,
Este lugar, que o Homem quis construir.

A frieza de um povo,
Que cresceu isolado
E aprendeu a sorrir de novo
No álcool mal amado.

Orgulhosa mente aberta,
Coração sem calor,
Fazem de ti mulher incerta
Estranha a dor e ao amor.


Chocolate preto
ao lado de vinho do Porto,
Declamando um soneto,
de um poeta já morto.

29.1.14

28.1.14

Feliz Aniversário Mãe!

Os descobrimentos portugueses,
foram sinómino de partida
e hoje, em certa medida,
voltaram-no a ser.
Mas partir
não é a tradução de perder,
Não é abandonar,
Muito menos, deixar
quem mais amamos.
Porque esses estarão
todos os dias connosco,
Bem perto, do coração.

26.1.14

O tempo passa, e ele pergunta,
"Onde está a minha história de amor?
Podem ficar com tudo o resto..."
Pedi um café,
e enquanto este arrefecia,
Deixei-me apaixonar,
E assim acabei, também, frio.

Sentimento mudo

Se eu soubesse falar,
Dizer o que vai em mim.
Se eu soubesse mostrar,
Este sentimento por ti.

Não irias partir para longe
Nem seríamos memórias
de um romance que não aconteceu,
E o que tudo o teriamos
Não seriam palavras inglórias.

O maior dos sentimentos
trouxe-me o maior dos medos,
Que fosses um pensamento,
guardado nos meus segredos.




Não vale a pena forçar,
Deixa acontecer,
O vento não irá levar
O que o destino quer.

14.12.13

your name

Today, we forgot our languages,
The time and the place where we are.
Just two human beings
Looking at the eyes,
Smiling,
And touching our hands.
Feeling the skin,
Each cut between the smoothness.
Symbols of a past life,
A pathway from somewhere,
Until now,
Until see you.

I was looking for you
Since I was born.
How do I know?
I just know,
I just left to see all around me
to see you.

Isn’t possible to describe it,
Even using all the languages.
Look into my eyes
And you will understand,
That we aren’t only two human beings
But one big heart.

Today, we forgot our languages,
The time and the place where we are.
Just two human beings
Looking at the eyes,
Smiling,
And touching our hands.

12.10.13


As palavras que trocamos
Nem sempre moram perto do papel,
Nem tudo aquilo que somos
Traduz-se no balanço de um pincel.

Aquilo que eu sou


Eu não sou poeta,
Poetas são os mortos.
Apenas gosto de entregar-me às palavras,
E procurar nestas,
Um sentido,
Uma explicação
Para aquilo que sou.

O significado do universo
não está a frente dos nossos olhos,
mas sim, atrás.

Noite


Faz frio lá fora.
Rostos pálidos,
Casacos que cobrem casacos.
O agasalho de uma alma,
O calor de uma chama apagada
Num interior que escurece.

Palavras


Aquilo que fazes
com as palavras,
É muito mais que uma arte.
É um grito daquilo
que vem dentro de ti,
daquilo que és.

E o que não consegues dizer,
que fica preso lá dentro
como se não quisesse sair,
Vale mais que qualquer palavra
que possas exprimir.
É um medo de perder
Algo que caia no vulgar,
que deixes de sentir,
que deixes de amar.

É melhor que fique lá dentro,
Tudo aquilo que não dizes,
E cujo sentimento rejubila
no estremecer do teu olhar.
É verdadeiro. És tu.
Para quê falar?
Se somos assim,
Homens e mulheres,
Uma dança sem fim.

Terá o homem uma alma?
Ou será, um refúgio para o universo
fazer sentido aos seus olhos?



10.10.12

Silêncio


Perco-me nas palavras
Que perdes no olhar,
Naquilo que não dizes
Por não saberes procurar.
És assim, somos assim
parte daquilo que tentamos ser,
Perdidos num sentimento
Que nos negamos a viver.
E quando for dia
A lua já foi, já passou
Será apenas um sonho
Uma música que acabou.
Estarás a viver
para onde o vento soprar
Num porto que não é o teu
Numa história sem encantar.
Guardei-te em mim
Gardaste-me em ti
Uma memória, um fim
De um olhar que sorri.

26.4.12

Pedras


Lança-me antes pedras
Meu amor,
Porque as tuas palavras
Partem-me o coração.

Vive


Rasga o silêncio que tens dentro de
ti. Deita fora aquele que te dá sem
merecer. Agarra a tua palavra, não
a deixes vestir o capuz da hipótese.
Vai em frente, fecha as portas atrás
de ti, acredita na força de procurar,
levanta a cabeça pois haverá sempre
mais portas, por abrir e por fechar.

22.4.12

Mudança


Toda a escrita é feita de mudança,
Nós próprios somos feitos de mudança,
Fui o teu amor e deixei de o ser.
Agora, és tu o meu amor,
Espero também, que deixes de o ser...

Pecado


Dei-te todas as palavras que tinha
Fiquei nu perante ti
Será loucura tua, ou minha
Por dizer o que senti.

Peca aquele que ama
Porque o amor é um pecado,
Porque passas a vida a dizer
Que está amaldiçoado.

Somos assim,
Somos sorrisos e lagrimas
Histórias que esquecemos,
Somos pormenores românticos
Uma luz que queres apagada.



Distante


Acreditar que não acreditas
Num relógio sem areia,
É acordares distante
Daquilo que te semeia.

Poesia

Perguntas-me o que é poesia,
Poesia, meu amor,
É tudo aquilo que tu és,
São sorrisos, olhares que me dás
E outros tantos que me tiras.

12.4.12

Inexistência


Há quem diga asneiras,
que nasceu para sofrer.
São vómitos, frases inteiras
De que não aprendeu a viver.

De um ser inorgânico racional
que deambula insconcientemente
e procura no bem o mal,
o alimento de uma alma doente.

Por mais ausente que seja o sentir
Haverá sempre o aprender,
E antes da hora de partir
Todos terão a oportunidade de nascer.

31.3.12

Há palavras


Há palavras gastas
de tanto repetir,
Publicidades nefastas
de um ausente sentir.

Há palavras ditas
para mais tarde esquecer,
São palavras malditas
do nosso próprio dizer.

Há palavras sem dono
escritas na rua,
São palavras mendigas
de uma verdade dura e crua.

Há palavras demoradas
que chegam tarde demais,
São histórias acabadas
de palavras que não merecem finais.

Há palavras sem jeito
que queremos esquecer,
São palavras que saem do peito
para nos dar a sofrer.

Há palavras mudas
daquilo que queremos ouvir,
São tontas, tontas essas palavras
que nos fazem sorrir.

Há palavras escondidas
por detrás do olhar,
São palavras sentidas
que não deixam falar.

Há palavras que nos definem
melhor que a própria definição
Talvez não sejam palavras,sejam pessoas
que nos falam com o coração.

27.3.12

Acordar matutino


Vi um acordar matutino
sem saber o porquê,
o porquê de acordar,
a razão de levantar.

De quem acorda pela manhã,
sem motivo para viver
sem razão para acreditar
que vale a pena renascer.

Vi um acordar matutino,
o despertar de uma dor
de uma lágrima que vem,
no partir do amor.

Uma canção sem melodia,
um querer apagado,
na gasta poesia
de algo mal acabado.

Vi um acordar matutino,
de um desejo sem morada
de um sonho distante
uma história mal contada.

Injúrias e mentiras
daquilo que não sou,
de falsas línguas
as quais não me dou.

E por histórias e boatos
esqueces tudo o que aconteceu
perdes-te na memória
de que fui sempre teu.

Loucos


Olha como são loucos,
os que na noite vagueiam,
sem lanterna, nem luz,
sem caminho por onde olhar.

Repara como correm
como saltam o que não vêem,
repara como sentem.

Ouvem mas não falam,
dizem-no a escrever,
a luz que têm dentro
que ninguém consegue ver.

21.3.12


I’m writing something new,
something about you,
about our true.

A story without an end,
an unknown future,
That we won’t to spend.

Let me see the voice of your eyes
Let me listen the look that never lies

Give me a last kiss,
before you forget
before I miss
and fall in regret.

Let me see the voice of your eyes
Let me listen the look that never lies

The sunset it’s over,
and I don’t know what tomorrow will bring,
I’m afraid  to find by morning,
a letter and a finger ring.

Let me see the voice of your eyes
Let me listen the look that never lies

If you will go far away
Try to be stronger than I,
don’t be fool, don’t believe
that the heart can fly.

Let me see the voice of your eyes
Let me listen the look that never
Never, never lies…

20.3.12

Un uomo innamorato


Nos intervalos da vida
Arranjo uns segundos
Para pensar como seria
Se cruzassemos os mundos.

Lanço-me de esferográfica desembainhada
Enfrento o que não te digo
Agarro a palavra desamparada
E junto de mim, dou-lhe abrigo.

Não há beijo
Que não possa ser escrito
Nem sonho sem desejo
Que não possa dizer, acredito!

19.3.12

Tu fintas-me


Olhares que recuso largar
Por querer ter por perto
Mesmo que me venha a magoar
Por fixar o incerto

Há olhares que são assim
Não dizem que não
Nem dizem que sim

Chove cá dentro
Quando tenho de partir
Quando dou o último abraço
E despedimo-nos a sorrir

Há sorrisos que são assim
Não dizem que não
Nem dizem que sim

Adio a partida
Até ao último fulgor
Aguento-me a esperança
Que ainda existem histórias de amor

E assim,

Abandono o cais
Olhando para trás
Procurando-te na multidão
Mesmo sabendo que não estarás

Há gestos que são assim
Não dizem que não
Nem dizem que sim

Não saber o que pensar
Muito menos o que fazer
É sofrer no silêncio
É deixarmo-nos morrer

Há pessoas que são assim
Não dizem que não
Nem dizem que sim

4.2.12

Programas-me

Cada vez que viro a página
Faço refresh
E volto a sentir o mesmo.
Inicio com um while
Que só termina quando estás on.
Quebra-se o ciclo
Passamos a linha seguinte.
Dançamos num silêncio de bits
Até ao clock da meia-noite,
E tudo o que me devolves
É um array vazio.
Deixas-me assim,
Out of memory.

Encruzilhada de palavras

Encruzilhada de palavras
Combinações aleatórias
Infinitas talvez
Daquilo que fomos
Do que iremos ser
Daquilo que dissemos
E do que ficou por dizer

2.2.12

Big Bang

Tropeças em alguém,
E num acordar súbito
Vês que sorri para ti,

Afinal o mundo tem cores
Tem formas e perfumes
Afinal há musica no ar

Há música e palavras 
Frases inteiras 
Que encaixam no puzzle que sentes

Perplexo, sentas-te em ti
e olhas o céu
Sabes que não estás aqui por acaso
Fazes parte do Universo
e o Universo faz parte de ti

Desatas pelas ruas
e cruzas a esquina de cada sorriso
Tentas tropeçar em alguém
Para que veja também
O seu Big Bang

30.1.12

Noite cá dentro


Fez-se silêncio
A porta fechou-se.
Enferruja-se o querer,
Cala-se o olhar.

O jardim secou,
Fez-se frio lá fora.
Fez-se noite cá dentro,
Calaram-se as palavras.

Uma Carta
Um silêncio e uma vela,
Um suspiro que apagou-se.

Longe


Aquilo que nos aproxima
É o que mais nos afasta.
A cada palavra, cada rima
Cresce um sentimento que mata.

E cada passo na tua direcção
É um encontrar-te distante,
O terminar de uma canção,
Um adeus que segue avante.

É um vazio sem nada
De um silêncio perturbador,
De uma lágrima amarrada
Num olhar entristecedor.

Pesa-me o mundo


Pesa-me o mundo,
Não imaginas como é pesado
Ter que traze-lo comigo
Todos os santos dias.
Não tens a miníma noção
Do esforço e do suor,
Do trabalho que dá
Ter que cuidar dele.
Não fazes mesmo a puta da ideia
Das horas que me rouba
Do tempo que passo sem dormir.
E porquê?
Porque simplesmente, gosto dele
Gosto do teu mundo...

Sufoco


Pesa-me o mundo,
Não consigo respirar.
Um aperto tão fundo
Que não me deixa olhar.

Não me deixa ver
As mãos que vão matar,
Esta maneira de ser,
Esta forma de amar.

28.1.12

Inocente


Tem que ser um passo de cada vez,
Já tentei muitos e caí.
O mundo é tão grande
E ainda tenho tanto por descobrir.
Tenho descobrir tudo
antes de ir para casa.
Tenho de descobrir o bom e a caca
A mãe diz que o mau é caca.

Oh, entrou um outro igual a mim,
Igual a mim, pequeno.
Ele sorriu-me!
Nunca o vi com mais dentes
Não interessa, brincamos!
Com os nossos super-poderes
Vamos salvar as moscas dos grandes.
Também gostava de ter asas...
Porquê que não tenho asas?

A mãe diz que temos que ir embora
mas eu não quero, não quero!
Se estou feliz porquê partir?

Oh, ela diz que oferece-me
um carrinho se formos embora.
Oh, assim pode ser.

Digo Adeus, com um beijo, ao meu amigo.

Oiço alguém dizer,
Que nunca mais irei vê-lo desta forma,
de criança.
Não percebi...

25.1.12

Partiste


Fez-se silêncio atrás de mim,
A porta fechou-se.
Enferrujam-me os sentimentos,
Calou-se-me o olhar.

Já não tenho jardim, secou.
Faz frio lá fora.
Calaram-se-me as palavras,
Fez-se noite cá dentro

Uma carta,
Uma última carta
A luz da única vela.
Uma lágrima
Uma simples... lágrima
Que se apagou para sempre.

Mais perto do longe

Aquilo que nos aproxima
É aquilo que mais nos afasta.
A cada palavra, cada rima
Cresce o sentimento que nos mata.

E cada passo na tua direcção
É um acordar distante,
Um último verso da canção,
De um adeus que segue avante.

É ter um vazio sem nada, 
Cair num silêncio ensurdecedor
Numa lágrima apaixonada
No aperto da dor...

24.1.12

a Carta



Foi sem querer
Confesso que foi sem querer

Por esta altura
estaria morto!
Se o arrependimento matasse.

Morto, por ter tomado esse vento
Até junto de ti.

Morto, de ter dançado
nas palavras que disseste,
De ter guardado
todos os sorrisos que me deste
Bem junto ao meu.

Morto, por ter ficado preso
No brilho do teu olhar,
Por querer parar o tempo
Para ter todo o tempo do mundo
Só para estar contigo.

Morto, por esquecer que és de longe
Onde as minhas equações desajustadas
Sem jeito nem feitio
Não entram.

Desculpa... se te fiz andar muito
Só para te mostrar o meu mundo.

Prometo não roubar
mais flores para te dar.
Prometo que irei esquecer
todas as histórias de amor.
Prometo que irei adormecer...
sem pensar em ti.

Adeus

22.1.12

Escrever sobre ti

Encosto-me para aí
Para aí num canto
A escrever sobre ti
Sobre essa forma
como me fazes escrever
como me deixas perdido
Perdido na escrita
E cada vez que levanto
E cada vez que sorris
Volto a cair sobre as palavras
Volto a cair sobre ti.

Partiste na Saudade

Partiste na saudade,
Na incógnita do amanhã.
Num querer voltar,
Num despertar
De um desejo esquecido,
De uma nova primavera,
De um novo inicio.
De um novo "Era uma vez"
Cantado pelas guitarras
E por amores, como o de Pedro e Inês.

Como nunca vi

A distância trouxe-te até mim,
Fez-me ver o porquê do sorriso,
Do sorriso estúpido
De quem sorri por tudo
E por mais alguma coisa.
E o olhar que fala por si,
Que, ao seu jeito, também ri.
Ver-te partir fez-me
ver-te como nunca vi.

A barca da minha Vida

"A barca da minha vida,
anda perdida no mar
Ficou para sempre cativa
Nas ondas do teu olhar. "

In Fado de Coimbra

As palavras sempre ficam!

"Se me disseres que me amas, acreditarei.
Mas se escreveres que me amas,
acreditarei ainda mais.

Se me falares da tua saudade, entenderei,
mas se escreveres sobre ela,
eu a sentirei contigo.

Se a tristeza vier a te consumir e me contares,
eu saberei, mas se a descreveres no papel,
o seu peso será menor.

...e assim são as palavras escritas:
possuem um magnetismo especial, libertam,
acalantam, invocam emoções.

Elas possuem a capacidade
de em poucos minutos cruzar mares,
saltar montanhas, atravessar desertos intocáveis.

Muitas vezes, infelizmente, perde-se o Autor,
mas a mensagem sobrevive ao tempo,
atravessando séculos e gerações."

(Autor Desconhecido)

18.1.12

Barco de mim

Barco que parte
Parte devagar
Parte para longe
Barco que parte
Para longe de mim
Com aquilo que sou
Barco que parte
Barco que partiu

Talvez hoje escreva

Sinto-me distante
Longe do que sou
E assim, lá vou
Por aí, deambulante

Talvez alguém me encontre
E diga quem sou
Talvez leve este não querer
Este vazio que me preenche

14.11.11

Mais um(a)


Um dito poema
Num café
Num tema
Dito com fé.

Um romance...
Não, um drama!
Uma chance
de mais uma cama.
Um desejo
Um querer,
Tradução de um beijo
Num momento de... poder.

Mãos frias


Mãos frias
Num sentimento quente,
Sozinha escondias
Que chove tristemente.

Arrepiada sensação
Lágrima sem sentido,
Silencias-te na multidão
Num triste alarido.

Sabes, que é vento cortante,
Que é um sabor fugaz
De um lugar distante,
De uma nova paz.

12.11.11

Estranhamente hoje


Lá fora, os putos de hoje
fumam um,
talvez dois cigarros.
Fugidos da chuva
escondem os catarros,
a doença de amanhã.
Cá dentro, o velho,
o que já fora do Restelo,
rezinga
com a capa de jornal,
esquece-se
volta a rezingar,
Conta-se-lhe o tempo.
A mulher, quase que velha,
divorciada da vida,
pede uma,
afogasse em si,
pede outra cerveja.
Lá no canto, alguém
estranhamente escreve
num lenço de papel.

9.11.11

Esta noite


Esta noite,
Agarra-te em mim,
Deixa-te levar
Por este principio sem fim.

Esta noite,
Esquece o passado
Não tenhas medo de sentir
Esquece o certo e o errado,
Não tenhas medo de sorrir.

Esta noite,
Foi feita pr'a amar,
Esquece o depois,
Seremos só nós os dois
Tu e eu, ao luar!

Esta noite
Acredita no que te digo,
Amo-te
Quero ficar contigo.

8.11.11

Sensação


Preocupação
Permanência constante.
Obrigação
Tempo cessante.
Ilusão
Escrita contida.
Desilusão
Musa perdida.

Tudo quanto resta


Tudo quanto resta,
Uma caneta,
Um papel,
Um silêncio.

Tudo quanto resta,
Uma lembrança distante,
O ter sido amante,
Um capricho teu.

Tudo quanto resta,
Uma memória
Guardada em mim,
uma história,
Um começo sem fim.

Tudo quanto resta,
Um silêncio,
O teu silêncio,
A tua morada distante.

Tudo quanto resta
Arrependimento, talvez.
Nostalgia, quem sabe
Dessa tua altivez
Tão quente... Tão fria.

Tudo quanto resta...

Parte de um só vez
Vai e não digas nada
Rasga aquilo que fomos
Essa doce loucura, errada!

7.11.11

Abraçados no tempo

Abraçados na noite
Que parou no tempo.
Esse teu calor,
Ofegante sentimento.

Não temos nome,
Origem nem morada.
Somos amor e ciúme,
Uma só estrada.

Madeirenses em Coimbra


Atravessam o Atlântico
Rumo a terra incerta.
Inspirados pelo sonho,
Partem a descoberta.
Abrem o livro
Aproxima-se novo capítulo.
Coimbra, Cidade dos Estudantes
É o melhor título.
Descobrem um novo mundo
São novamente baptizados.
A Sé velha é o templo
A oração, é agora fado!
Traçam-lhes a capa,
Levantam o olhar,
Assumem a independência
Hasteiam a bandeira.
Nas Letras ou na Ciência
A única certeza é, Madeira.

Sorriso Culpado


Descoberta no escuro
De um traço do teu rosto.
Cegamente seguro,
Atraído por fogo posto.

Olhar de culpa,
Sorriso safado.
Adeus, quanto resulta
De um desejo culpado.

Novamente realidade,
Novamente de dia.
Foi-se o sonho, a vaidade
O sorriso... que sorria.

6.11.11

Empírico


Caminho emprestado
Momento empírico
Escritor cansado
Do querer lírico

Nascer para morrer



Rasga-se o olhar
No sol que bate friamente
Cair e voltar a acordar
Nunca será diferente

Rasga-se sentimento
No amanhacer desnorteado
Realidade sem alento
Caminho disparatado

Rasga-se a escrita
Na sua escassa poesia
Adormecido na cripta
Acabara-se a magia.

Amarrotado


Um filamento de escrita
No guardanapo usado,
Por entre palavras consumidas
Num jeito abandonado.

Um soneto borrado,
Restos de um romance
Que alguém que viveu,
Algures no passado.

Declaração arrendida,
Palavras por dizer.
Uma canção perdida,
O fim de um querer.

Nós


Toque leve, suave
Que raia lá forá.
Calor ofegante, sentir
Que chove sobre a cidade.

Tempestade de sentimento,
Uma noite fechada.
O rogar do alento
De uma canção abandonada.

Poesia Aguerrida,
Desejo de possuir.
Um Modo de vida,
Um Modo de sentir.

Palavras fulgurosas
tão longe de nós,
Culpas inocentes
Por estarmos tão sós.

Culpa


Escreva-se com alma
Que falta tinta ao coração,
Que se encontre outra chama
Para o repetir do perdão.

3.11.11

Mundos de Amanhã


Uma carteira,
Umas tantas moedas lá dentro

Uma possibilidade que se esvanece no tempo
Num tempo cada vez mais caro
cada vez mais perto do longe

Uma carteira,
Umas tantas moedas lá dentro

Porque somos números
Meras quantias
Um estatuto social

Uma carteira,
Umas tantas moedas lá dentro

Talvez dê a alguém
a troco do meu sorriso
de uma consciência com preço

Uma carteira,
Umas tantas moedas lá dentro,

Nunca foder forá tão parecido com amar
Luxúria, gula, prazer
Tão fáceis de comprar

Rir ou simplesmente chorar
uma carteira,
Umas tantas moedas lá dentro
uma diferença tão fácil de quebrar

2.11.11

Coisas de Amanhã


Uma carteira,
Umas tantas moedas lá dentro
a troco de coisa nenhuma
para trocar alguma coisa

Alimento que trago no bolso
que não serve para comer
Dita sobrevivência
nesta selva de aço e betão
Onde a terra do chão
não dá para semear

Onde as árvores já não são de fruto
Onde fruto já não cresce nas árvores
Vai-se lá saber onde paira
o chilrear do pôr-do-sol
o melro do fruto maduro
A abelha deambulante
por entre as cores do jardim.

28.9.11

Escreve

Escreve uma carta. Para quem? Não precisas de saber!
Para onde? Não precisas de saber!
Simplesmente escreve..
Debruça-te sobre ti mesmo..
Não queiras saber de ti
Escreve...
Não tens que começar pelo inicio
Escreve o que achas ser
Aquilo que pensas que sentes
Se é suposto sentir?
Não sabes... Ninguém sabe
Escreve
Não percebes o porquê de escrever
Nunca ninguém te pediu para nascer
Porquê perceber?
Escreve
Escreve
Escreve
Escreve
Escreve
Escreves-te

Agora sabes para quem é
Sabes que nome pôr
Sabes a morada

28.5.11

She's the one

Poderá ser a tal,
A estudar o código civil
Com a calculadora de engenheira
Perdida no livro de anatomia.

A outra metade,
De cabelo escuro dourado
Atrevidamente timida
No seu jeito fechado.

Parou o mundo
Num só segundo
Num só momento
Novamente apaixonado.