A saliva confunde-se nas barbas
Do seu olhar perdido,
Do seu cabelo grisalho,
Da sua roupa de sempre.
Fita o seu futuro
Numa porta fechada,
Deixando-se levar
Como se não houvesse
Vontade de continuar.
Pesa-lhe o corpo,
Pesa-lhe a alma,
Mergulha no silêncio
Morto, sem chama.
Faz tempo que partiu
Ou que se perdeu,
Não se lembra como sumiu
Nem o que lhe aconteceu.
No passado, já foi
criança,
Correu e brincou lá fora,
Já teve esperança
E sonhou ser alguém.
Já foi feliz
Aos olhos de sua mãe.
Teve amores e paixões
Borbulhas e desilusões,
Quis ser polícia e
astronauta
Quis salvar o mundo do
perigo
E um dia acordou assim
Acordou, mendigo.
Mendigo, que todos evitam
Como se fosse um poço de
doenças
Como se fosse um cão sem
dono
Com carraças e sem pêlo
Numa sociedade
Que prefere não vê-lo.
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